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sábado, 5 de abril de 2014

255 - OS EVANGELHOS SÃO VERDADE IROS? 1ª PARTE


Os Evangelhos do Novo Testamento são a testemunha ocular da verdadeira história de Jesus Cristo, ou a história pode ter sido mudada ao longo dos anos?

Devemos simplesmente aceitar os relatos do Novo Testamento de Jesus pela fé, ou existem evidências de sua confiabilidade?

Peter Jennings, âncora do ABC News, esteve em Israel transmitindo um programa de TV especial sobre Jesus Cristo.

Seu programa, The Search for Jesus (A Busca por Jesus), explorou a questão sobre se o Jesus do Novo Testamento tinha precisão histórica.

Jennings apresentou opiniões sobre os relatos do Evangelho do professor da DePaul University, John Dominic Crossan, de três colegas de Crossan do Seminário de Investigação sobre Jesus, e de dois outros estudiosos da Bíblia. (O Seminário de Investigação sobre Jesus é um grupo de estudiosos que debate as palavras e ações registradas de Jesus e, de acordo com jesusseminar.org, "O Seminário Jesus foi organizada sob os auspícios do Instituto Westar para renovar a busca do Jesus histórico. No encerramento do debate sobre cada item da agenda, os bolsistas do voto Seminário, usando miçangas coloridas para indicar o grau de autenticidade das palavras ou ações de Jesus. ")

Alguns dos comentários foram impressionantes.

No programa de TV nacional, o Dr. Crossan não apenas lançou dúvida sobre mais de 80% das declarações de Jesus como também negou a divindade, os milagres e a ressurreição atribuídos a Jesus.

Jennings ficou claramente intrigado pela imagem de Jesus apresentada por Crossan.

A busca pela verdadeira história da Bíblia sempre é notícia, motivo pelo qual todo ano as revistas Time e Newsweek trazem uma matéria de capa sobre Maria, Jesus, Moisés e Abraão. Ou - quem sabe?- talvez a matéria deste ano seja “Bob: a história não contada do 13º discípulo desconhecido”.

Trata-se de entretenimento e, portanto, a investigação nunca terminará nem renderá respostas, pois isso acabaria com o assunto para o futuro.

Em vez disso, pessoas com opiniões radicalmente diferentes são reunidas como em um episódio de Survivor, embaralhando a questão em vez de trazer mais clareza.

Mas o relatório de Jennings enfocou um aspecto que merece ser levado a sério.

Crossan afirmou que os relatos originais de Jesus foram embelezados pela tradição oral e não haviam sido escritos até depois da morte dos apóstolos.

Assim, eles seriam altamente não confiáveis e não poderiam nos oferecer uma imagem precisa do verdadeiro Jesus.

Como saberemos se isso realmente é verdade?

PERDIDOS NA TRADUÇÃO?

Então, o que as evidências mostram

Começamos com duas perguntas simples:

Quando foram escritos os documentos originais do Novo Testamento? 

E quem os escreveu?

 A importância dessas perguntas é óbvia.

Se os relatos de Jesus foram escrito após a morte das testemunhas oculares, ninguém pôde confirmar sua precisão.

Mas se os relatos do Novo Testamento foram sido escritos enquanto os apóstolos originais ainda estavam vivos, sua autenticidade poderia ser estabelecida.

Pedro poderia se defender de uma falsa afirmação atribuída a ele dizendo, “Ei, não escrevi isso”.

E Mateus, Marcos, Lucas e João poderiam responder a perguntas ou desafios relacionados aos seus relatos sobre Jesus.

Os autores do Novo Testamento afirmaram terem sido testemunhas oculares dos relatos de Jesus.

O apóstolo Pedro declarou o seguinte em uma carta:

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2 Pedro 1:16 NLT).

Uma grande parte do Novo Testamento é composta pelas 13 cartas de Paulo para jovens da igreja.

As cartas de Paulo, datadas da metade dos anos 40 e da metade dos anos 60 (anos 12 a 33 depois de Cristo), constituem as primeiras testemunhas da vida e dos ensinamentos de Jesus.

Will Durant escreveu sobre a histórica importância das cartas de Paulo: 

“A evidência cristã de Cristo começa com as cartas atribuídas a Paulo. … Ninguém questionou a existência de Paulo, ou seus repetidos encontros com Pedro, Thiago e João; e Paulo admitia enciumadamente que esses homens haviam conhecido pessoalmente o Cristo.” - Will DurantCésar e Cristo, vol. 3 A História da Civilização (New York: Simon & Schuster, 1972), 555.

MAS SERÁ QUE É VERDADE?
 
Em livros, revistas e documentários da TV, o Seminário de Investigação sobre Jesus sugere que os Evangelhos foram escritos entre os anos 130 a 150 d.C. por autores desconhecidos.

Se essas datas estiverem corretas, haveria uma lacuna de aproximadamente 100 anos após a morte de Cristo (estudiosos situam a morte de Jesus entre os anos 30 e 33 d.C.).

E, uma vez que todas as testemunhas oculares estariam mortas, os Evangelhos só poderiam ter sido escritos por autores desconhecidos, fraudulentos.

Portanto, quais evidências temos em relação a quando os relatos do Evangelho de Jesus foram realmente escritos?

O consenso da maioria dos estudiosos é que os Evangelhos foram escritos por apóstolos durante o primeiro século.

Eles mencionam diversas razões que serão analisadas mais adiante neste artigo.

Por enquanto, observe no entanto que três formas iniciais de evidência parecem criar uma base sólida para as conclusões deles:

- Documentos primitivos de hereges como Marcião e a escola de Valentino mencionando livros, temas e passagens do Novo Testamento.

- Numerosos escritos de fontes primitivas do Cristianismo, como do Clemente de Roma, Ignácio e Policarpo.

- Descoberta de cópias de fragmentos do Evangelho com verificação de carbono datada de 117 d.C

O arqueólogo bíblico William Albright concluiu, na base de sua pesquisa, que todos os livros do Novo Testamento foram escritos enquanto a maioria dos apóstolos ainda estava viva. - Josh McDowall, A nova evidência que exige Veredicto (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1999), 38.

Segundo ele, “Já podemos afirmar enfaticamente que não existe mais nenhuma base sólida para atribuir a data de qualquer livro a depois de 80 d.C., ou seja, duas gerações inteiras antes da data entre 130 e 150 d.C., dada pelos críticos atuais mais radicais do Novo Testamento”. - William F. Albright Descobertas recentes em Terras Bíblicas (New York: Funk & Wagnalls, 1955), 136.

Em outro ponto, Albright situa a escrita de todo o Novo Testamento “provavelmente entre 50 d.C. e 75 d.C.” - William F. Albright, “Em direção a uma visão mais conservadora,” Christianity Today, January 18, 1993, 3.

O estudioso John A. T. Robinson, notoriamente cético, atribui ao Novo Testamento uma data anterior àquela afirmada até mesmo pelos estudiosos mais conservadores.

Em Redating the New Testament (A Redatação do Novo Testamento), Robinson afirma que a maior parte do Novo Testamento foi escrita entre 40 d.C. e 65 d.C.

Isso significa que ele teria sido escrito 7 anos após o período em que Cristo viveu. -  John A. T. Robinson, A redatação do Novo de testamento, citado em Norman L. Geisler and Frank Turek, “Eu não tenho fé suficiente para ser ateu” (Wheaton, IL: Crossway, 2004), 243.

Se isso for verdade, quaisquer erros históricos teriam sido imediatamente apontados tanto por testemunhas oculares como por inimigos do Cristianismo.

Assim, vamos ver a trilha de pistas que nos leva dos documentos originais às nossas cópias atuais do Novo Testamento.

QUEM PRECISA TIRAR CÓPIAS?

Os escritos originais dos apóstolos foram reverenciados.

Eles foram estudados, compartilhados, cuidadosamente preservados e armazenados como um tesouro escondido pelas igrejas.

Mas, infelizmente, os confiscos romanos, a passagem de 2000 anos e a segunda lei da termodinâmica cobraram seu preço.

Então, hoje, o que temos desses escritos originais?

Nada.

Os manuscritos originais se foram (embora, sem dúvida, toda semana estudiosos da Bíblia sintonizem no programa de TV Antiques Roadshow esperando que um manuscrito seja descoberto).

Ainda assim, o Novo Testamento não está sozinho nesse destino; nenhum outro documento comparável da história antiga continua existindo atualmente.

Os historiadores não são incomodados pela falta de manuscritos originais, uma vez que têm cópias confiáveis para examinar.

Mas existem cópias antigas do Novo Testamento disponíveis e, se existem, elas são fiéis aos originais?

Conforme o número de igrejas se multiplicava, centenas de cópias eram cuidadosamente feitas sob a supervisão dos líderes da igreja.

Cada carta foi meticulosamente escrita à tinta em pergaminho ou papiro.

E assim, atualmente, estudiosos podem examinar as cópias sobreviventes (e as cópias das cópias, e as cópias das cópias das cópias - você entendeu) para determinar a autenticidade e chegar muito perto dos documentos originais.

De fato, os acadêmicos que estudam literatura antiga desenvolveram a ciência da crítica textual para examinar documentos como A Odisséia, comparando-os a outros documentos antigos para determinar sua precisão.

Mais recentemente, o historiador militar Charles Sanders ampliou a crítica textual desenvolvendo um teste dividido em 3 partes que analisa não apenas a fidelidade da cópia, mas também a credibilidade dos autores.

Os testes são:

1 - O teste bibliográfico

2 - O teste da evidência interna

3 - O teste da evidência externa - McDowell, 33-68.

Vamos ver o que acontece quando aplicamos esses testes aos primeiros manuscritos do Novo Testamento.

TESTE BIBLIOGRÁFICO

Este teste compara um documento a outros documentos históricos antigos do mesmo período. 

Ele questiona:

- Quantas cópias do documento original existem?

- Quanto tempo se passou entre os escritos originais e as primeiras cópias?

- Como um documento se compara a outros documentos históricos antigos?

Imagine se tivéssemos apenas duas ou três cópias dos manuscritos originais do Novo Testamento.

A amostragem seria tão pequena que não poderíamos confirmar sua precisão.

Por outro lado, se temos centenas ou até mesmos milhares de cópias, podemos facilmente disseminar erros de documentos mal transmitidos.

Então, como o Novo Testamento se compara a outros escritos antigos considerando-se o número de cópias e o intervalo em relação aos originais?

Atualmente, existem mais de 5.000 manuscritos do Novo Testamento no idioma grego original.

Quando contamos traduções para outros idiomas, o número é espantoso: 24.000 - datadas dos séculos II a IV.

Compare isso ao segundo manuscrito histórico antigo mais bem documentado, a Ilíada de Homero, com 643 cópias. - McDowell, 34.
Bruce M. Metzger O texto do Novo Testamento (New York: Oxford University Press, 1992), 34.

E lembre-se de que a maioria dos trabalhos históricos antigos têm muito menos cópias existentes do que esse (geralmente, menos de 10).

O estudioso do Novo Testamento Bruce Metzger ressalta, “Em contraste com esses números [de outros manuscritos antigos], a crítica textual do Novo Testamento é atrapalhada pela integridade do material”. - McDowell, 38.

INTERVALO DE TEMPO

Não apenas o número de manuscritos é significativo, mas também o intervalo de tempo transcorrido entre quando o original foi escrito e a data da cópia.

Ao longo de mil anos de cópias, não é possível dizer no quê um texto poderia se transformar.

Mas quando se trata de cem anos, a história é diferente.

O crítico alemão Ferdinand Christian Baur (1792–1860) certa vez afirmou que o Evangelho de João não havia sido escrito por volta de 160 d.C. e, portanto, não poderia ter sido escrito por João.

Isso, se for verdade, não questionaria apenas os escritos de João, mas também lançaria suspeita sobre todo o Novo Testamento.

Mas então, quando um esconderijo dos fragmentos em papiro do Novo Testamento foi descoberto no Egito, no meio estava um fragmento do Evangelho de João (especificamente, P52: João 18:31-33) datado de aproximadamente 25 anos depois que João havia escrito o original.

Metzger explicou que, “assim como Robinson Crusoé, que viu uma única pegada na areia e concluiu que havia outro ser humano, com dois pés, presente na ilha junto com ele, o fragmento P52 prova a existência e o uso do Quarto Evangelho durante a primeira metade do século II em uma província ao longo do Nilo, muito afastada do local de escrita tradicional (Éfeso, na Ásia Menor).” - Metzger, 39.

Achado após achado, a arqueologia desvendou cópias de grandes partes do Novo Testamento, datadas de até 150 anos após os originais. - Metzger, 36-41.

Muitos outros documentos antigos têm intervalos de 400 a 1400 anos.

Por exemplo, a Poética de Aristóteles foi escrita por volta de 343 a.C., e a primeira cópia é datada de 1100 d.C., sendo que existem apenas cinco cópias.

E, ainda assim, ninguém sai em busca do histórico Platão, afirmando que na verdade ele era um bombeiro, e não um filósofo.

De fato, existe um corpo quase completo da Bíblia chamado Codex Vaticanus, que foi escrito somente cerca de 250 a 300 anos depois da escrita original dos apóstolos.

O corpo completo mais antigo conhecido do Novo Testamento em um manuscrito uncial antigo é chamado Codex Sinaiticus que, agora, está guardado no Museu Britânico.

Assim como o Codex Vaticanus, ele é datado do século IV.

Voltando ao início da história cristã, o Vaticanus e o Sinaiticus são como outros manuscritos bíblicos no sentido em que diferem minimamente um do outro e nos oferecem uma imagem muito boa do que os documentos originais devem ter dito.

Até mesmo o crítico acadêmico John A. T. Robinson admitiu que “a integridade dos manuscritos e, acima de tudo, o curto intervalo entre a escrita original e as primeiras cópias existentes, tornam o Novo Testamento de longe o texto mais certificado de qualquer escrito antigo no mundo.” - John A. T. RobinsonPodemos confiar no Novo Testamento? (Grand Rapids: Eerdmans, 1977), 36.

O professor de Direito John Warwick Montgomery afirmou que “ser cético em relação ao texto resultante dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antiguidade clássica deslize para a obscuridade, já que nenhum documento do período antigo é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento.” - Citado em McDowell, 36.

A questão é: Se os registros do Novo Testamento foram feitos e circulados tão próximos aos eventos reais, é muito mais provável que o seu retrato de Jesus seja preciso.

Mas a evidência externa não é a única forma de responder à dúvida sobre a confiabilidade; estudiosos também usam a evidência interna para responder a essa pergunta.

Na próxima postagem veremos o que nos dizem as evidências internas.

Até lá.


Que Deus abençoe a todos.


Fonte: http://jesusreal.blogspot.com.br


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