sexta-feira, 21 de março de 2014

254 - JESUS FOI UMA PESSOA REAL? - 2ª PARTE



 Sobre Jesus existem relatos tanto religiosos quanto seculares.

Mas devemos levantar a questão:

Será que eles foram escritos por historiadores confiáveis e objetivos?

Vamos dar uma olhada no que dizem o novo testamento,os relatos não cristãos antigos,e falar também sobre Seu impacto histórico.

O NOVO TESTAMENTO

Os 27 livros do Novo Testamento declaram ter sido escritos por autores que conheciam Jesus ou obtiveram conhecimento sobre Ele de outros.

Os 4 relatos de evangelho registram a vida e as palavras de Jesus de diferentes perspectivas.

Esses relatos foram amplamente analisados por estudiosos tanto de dentro quanto de fora do cristianismo.

O estudioso John Dominic Crossan acredita que menos de 20 por cento do que lemos nos evangelhos são os dizeres originais de Jesus.

Mas mesmo este cético não refuta que Jesus Cristo de fato existiu.

Apesar das visões de Crossan e das de alguns outros estudiosos marginais como ele, o consenso da maioria dos historiadores é de que os relatos dos evangelhos nos dão uma figura clara de Jesus Cristo.

Devido a amplitude do assunto, a  confiabilidade dos relatos do Novo Testamento será o tema da próxima postagem que terá por título: OS EVANGELHOS SÃO VERDADEIROS?

Portanto observaremos agora fontes não cristãs para responder nossa questão de se Jesus de fato existiu.

RELATOS NÃO CRISTÃOS ANTIGOS

Quais historiadores do primeiro século que escreveram sobre Jesus não tinham intenções cristãs?

Primeiramente, vamos ver os inimigos de Jesus.

Seus oponentes judeus seriam os que mais teriam a ganhar negando a existência de Jesus.

Mas as evidências apontam o contrário.

“Muitos textos judeus contam sobre sua existência em carne e sangue. 

Ambos os Guemoras do Talmude judeu fazem referência a Jesus. 

Apesar de consistirem apenas de algumas poucas e amargas passagens que visam refutar a divindade de Jesus, esses são textos judeus muito antigos que não o indicam como uma pessoa histórica.”  D. James Kennedy, Céticos Respondidos (Sisters, OR: Multnomah, 1997), 76.

Flávio Josefo foi um notável historiador judeu que começou a escrever sob a autoridade romana em 67 d.C. 

Josefo, nascido apenas alguns anos após a morte de Jesus, tinha conhecimento da reputação de Jesus tanto entre os romanos quanto entre os judeus.

Em seu famoso Antiguidades Judaicas (93 d. c.), Josefo escreveu de Jesus como uma pessoa real.

“Naquele tempo viveu Jesus, um homem santo, se ele pode ser chamado de homem, pois realizou trabalhos poderosos, ensinou os homens, e recebeu com prazer a verdade. 

E ele foi seguido por muitos judeus e muitos gregos. Ele foi o messias”. - Os Gemaras são comentários rabínicos iniciais do Talmude, um corpo de escritos teológicos, ad datado 200-500,6 Citado em Durant, 554.

Apesar de haver certa controvérsia sobre a redação do relato, especialmente quanto à referência de Jesus ser o messias (estudiosos são céticos, pensando que os cristãos inseriram esta frase), Josefo de fato confirmou sua existência.

E sobre os historiadores seculares que viveram nos tempos antigos, mas não tinham motivações religiosas

Existe atualmente confirmação de pelo menos 19 escritores seculares antigos que fizeram referência a Jesus como uma pessoa real. - Citado em D. James Kennedy, céticos respondidos, (Sisters Oregon: Multnomah Publishers Inc., 1997), 73.

Um dos maiores historiadores da antiguidade, Cornélio Tácito, afirmou que Jesus sofreu com Pilatos.

Tácito nasceu cerca de 25 anos antes da morte de Jesus e ele testemunhou como o alastramento do cristianismo começou a afetar Roma.

Os historiadores romanos escreveram negativamente sobre Cristo e os cristãos, identificando-os em 115 d. c. como uma “raça de homens detestados por suas práticas e chamados geralmente de Chrestiani. O nome deriva-se de Chrestus, que, no reino de Tibério, sofreu com Pôncio Pilatos, procurador da Judeia.” - Citado em Durant, 281.

 Os seguintes fatos sobre Jesus foram escritos por fontes antigas não cristãs:

- Jesus era de Nazaré

- Jesus viveu uma vida virtuosa e sábia.

- Jesus foi crucificado na Judeia por Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério César na época da páscoa, sendo considerado um rei judeu.

- Os discípulos de Jesus acreditavam que ele morreu e ressuscitou dentre os mortos três dias depois.

- Os inimigos de Jesus reconheciam que ele realizava feitos desconhecidos que eram chamados de “bruxaria”.

- O pequeno grupo de discípulos de Jesus multiplicou-se rapidamente, alastrando-se até Roma.

- Os discípulos de Jesus negavam o politeísmo, viviam vidas moralmente adequadas e idolatravam Cristo como Deus.

O teólogo Norman Geisler declarou:

“Esta visão geral é completamente coerente com a do Novo Testamento”. - Norman Geisler e Peter BocchinoFundações inabaláveis (Grand Rapids, MI: Bethany House, 2001), 269.

Todos esses relatos independentes, religiosos e seculares, falam de um homem real que combina muito bem com o que é dito de Jesus nos evangelhos.

A Enciclopédia Britânica cita esses vários relatos seculares da vida de Jesus como prova convincente de sua existência. ela declara:

“Esses relatos independentes provam que nos tempos antigos os oponentes do cristianismo nunca duvidaram da historicidade de Jesus”. - Citado em  Josh McDowell, Evidência que exige um veredito, vol. 1 (Nashville: Nelson, 1979), 87.

IMPACTO HISTÓRICO

Uma importante distinção entre um mito e uma pessoa real é como esta figura impacta a história.

Por exemplo, muitos livros foram escritos e filmes foram produzidos sobre o de Camelot e seus Cavaleiros da Távola Redonda.

Esses personagens tornaram-se tão notáveis que muitos acreditam terem sido pessoas reais.

Porém os historiadores buscaram pistas da sua existência e não conseguiram descobrir nenhum impacto histórico exercido nas leis, ética ou religião.

Um reino com a grandiosidade de Camelot teria certamente deixado suas marcas na história contemporânea.

A falta de impacto histórico indica que o Rei Artur e seus Cavaleiros da Távola Redonda não passam de mito.

O historiador Thomas Carlyle disse:

“Nenhum grande homem vive em vão. A história do mundo é como uma biografia dos grandes homens”.  - Citado em Christopher Lee, This Sceptred Isle, 55 B.C.–1901 (London: Penguin, 1997), 1.

Como indicado por Carlyle, são as pessoas reais, não os mitos, que exercem impacto na história.

Como uma pessoa real, Alexandre o grande afetou a história com suas conquistas militares, alteração de nações, governos e leis.

E sobre Jesus Cristo e seu impacto no mundo?

Os governos do primeiro século da Judéia e de Roma não foram muito afetados pela vida de Jesus.

O cidadão romano médio não sabia que ele existiu até muitos anos após sua morte, e a cultura romana permaneceu à parte de seus ensinamentos por décadas, e muitos séculos se passariam antes de matar cristãos no coliseu tornar-se um passatempo nacional.

O resto do mundo do mundo teve pouco conhecimento dele.

Jesus não liderou nenhum exército.

Ele não escreveu nenhum livro nem mudou nenhuma lei.

Os líderes judeus esperavam ter eliminado sua memória e parecia terem conseguido.

Hoje, contudo, a Roma antiga está em ruínas.

As poderosas legiões de César e a pompa da potência imperial romana foram esquecidas.

E como Jesus é lembrado hoje

Qual é a sua influência duradoura?

- Mais livros foram escritos sobre Jesus do que sobre qualquer outra pessoa na história.

- Nações usaram suas palavras como base para seus governos. De acordo com Durant, “o triunfo de Cristo foi o início da democracia”. - Will Durant A história da filosofia (New York: Pocket, 1961), 428.

- Seu Sermão no monte estabeleceu um novo paradigma de ética e moral.

- Escolas, hospitais e trabalhos humanitários foram criados em seu nome. Harvard, Yale, Princeton e Oxford são algumas das universidades que devem aos cristãos sua fundação

- O papel elevado das mulheres na cultura Ocidental tem suas raízes em Jesus. (As mulheres dos dias de Jesus eram consideradas inferiores e praticamente não pessoas até seus ensinamentos serem seguidos.)

- A escravidão foi abolida no Reino Unido e nos Estados Unidos com base nos ensinamentos de Jesus de que cada vida humana é valiosa.

- Ex-dependentes de drogas e álcool, prostitutas e outros buscando propósito na vida declaram que ele é a explicação para a mudança nas suas vidas.

- 2 bilhões de pessoas consideram-se cristãs. Enquanto algumas são cristãs apenas no nome, outras continuam a influenciar nossa cultura de acordo com os princípios ensinados por Jesus de que toda vida é valiosa e que devemos amar uns aos outros.

Incrivelmente, Jesus causou todo este impacto como resultado de apenas um período de ministério público de 3 anos.

Se Jesus não existisse, deve-se imaginar como um mito poderia alterar tanto a história.

Quando perguntaram ao historiador mundial H. G. Wells quem deixou o maior legado na história, ele respondeu

“Nesta questão Jesus fica em primeiro lugar”. - Citado em Bernard Ramm, Evidências cristãs protestantes (Chicago: Moody Press, 1957), 163.

As evidências documentadas e o impacto histórico apontam para o fato de que Jesus de fato existiu.

E se Jesus de fato existiu, também podemos esperar descobrir suas marcas nos detalhes históricos.

Os mitos não deixam tais detalhes que os confirmem.
 
Um dos pontos principais para Durant e outros estudiosos é o fator do tempo.

Mitos e lendas geralmente levam centenas de anos para serem desenvolvidos - a história de George Washington nunca ter contado uma mentira é provavelmente uma mentira em si, até dois séculos terem tornado-a uma lenda.

Notícias do cristianismo, por outro lado, alastraram-se rápido demais para serem atribuídas a um mito ou lenda.

Se Jesus não tivesse existido, os que se opunham ao cristianismo com certeza teriam intitulado-o um mito desde o início. Mas eles não fizeram isso.

Tal evidência, em conjunto com os relatos históricos antigos e o impacto histórico de Jesus Cristo, convencem mesmo os historiadores mais céticos de que o fundador do cristianismo não era mito nem lenda.

Mas um especialista em mitos não estava tão certo.

Como Muggeridge, o estudioso da Oxford C. S. Lewis estava inicialmente convencido de que Jesus não passava de um mito.

Lewis declarou uma vez:

“Todas as religiões, isto é, mitologias… são somente uma invenção do homem - tanto Cristo quanto Loki”. (Loki é um antigo Deus nórdico. Como Thor, mas sem o rabo-de-cavalo.) - Malcolm Muggeridge, Jesus redescoberto (Bungay, Suffolk, U.K.: Fontana, 1969), 8.

Dez anos após denunciar Jesus como mito, Lewis descobriu detalhes históricos, incluindo diversos documentos de testemunhas, confirmando sua existência.

Jesus Cristo impactou a paisagem da história como um grande terremoto.

E este terremoto deixou um rastro maior que o Grand Canyon.

Este é o rastro de evidência que convence os estudiosos que Jesus de fato existiu e realmente impactou nosso mundo há 2 mil anos atrás.

Um dos céticos que pensaram que Jesus era um mito foi o jornalista britânico Malcolm Muggeridge.

Em uma designação da televisão para Israel, foram apresentadas a Muggeridge evidências sobre Jesus Cristo que ele não sabia que existiam.

Ao visitar os locais históricos - o local do nascimento de Jesus em Belém, a cidade de Nazaré, o local da crucificação e a tumba vazia - um sentido da realidade de Jesus começou a surgir.

Mais tarde ele declarou:

“Foi quando eu estava na Terra Sagrada para realizar três programas de televisão para a BBC sobre o Novo Testamento que uma… certeza apoderou-se de mim sobre o nascimento, ministérios e crucificação de Jesus. … Eu percebi que de fato existiu um homem, Jesus, que também era Deus”. - David C. Downing, O convertido mais relutante (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2002), 57.

Alguns estudiosos alemães altamente críticos dos séculos 18 e 19 questionaram a existência de Jesus, dizendo que tais figuras principais como Pôncio Pilatos e clérigo chefe Caifás dos relatos do evangelho nunca foram confirmados como reais.

Não foi possível nenhuma resposta até meados do século 20.

Arqueólogos confirmaram a existência de Pilatos em 1962 quando descobriram este nome incluído em uma inscrição em uma pedra escavada.

Da mesma maneira, a existência de Caifás era incerta até 1990, quando um ossuário (caixa de ossos) foi descoberto contendo esta inscrição.

Os arqueólogos também descobriram o que acreditam ser a casa de Pedro o apóstolo e uma caverna onde João Batista teria feito seu batizado.

Por fim, talvez a evidência histórica mais convincente da existência de Jesus foi a rápida ascensão do cristianismo.

Como pode ser explicado sem Cristo?

Como esse grupo de pescadores e outros trabalhadores poderiam ter inventado Jesus em um poucos anos?

Durant respondeu sua própria questão introdutória - Cristo realmente existiu? - com a seguinte conclusão:

"Alguns homens simples terem inventado em uma geração uma personalidade não poderosa e atraente, tão elevada, ética e inspiradora de uma visão de irmandade humana, seria um milagre ainda mais incrível do que os registrados nos evangelhos. Após dois séculos de muitas críticas a descrição da vida, personalidade e ensinamentos de Jesus permanecem razoavelmente claras e constituem uma das obras mais fascinantes da história do Ocidente."

O VEREDITO DOS ESTUDIOSOS

Clifford Herschel Moore, professor da Universidade de Harvard, declarou sobre a historicidade de Jesus que “o cristianismo conheceu seu salvador e redentor e não um deus qualquer cuja história era baseada em fé mítica. … Jesus foi histórico e não um ser mítico. Nenhum mito remoto ou desagradável introduziu-se no crente cristão; sua fé baseava-se em fatos positivos, históricos e aceitáveis”. - Citado em McDowell, 193.

Poucos historiadores sérios ainda concordam com as afirmações de Ellen Johnson e Bertrand Russell de que Jesus não existiu.

A ampla documentação da vida de Jesus por escritores da época, seu profundo impacto histórico e a evidência tangível e confirmadora da história persuadiram os estudiosos de que Jesus de fato existiu.

Será que um mito poderia ter feito tudo isso

Apenas alguns estudiosos extremamente céticos dizem que não.

Dr. Michael Grant da Cambridge escreveu:

“Resumindo, os métodos críticos modernos falham em suportar a teoria de Cristo como mito. Ela foi diversas vezes respondida e eliminada por estudiosos de primeira linha. Nos últimos anos nenhum estudioso sério se aventuraria a postular a não historicidade de Jesus”. -
Michael GrantJesus (London: Rigel, 2004), 200.

O historiador da Yale Jaroslav Pelikan declarou:

“Independente do que qualquer um possa pensar ou acreditar sobre ele, Jesus de Nazaré foi uma figura dominante na história da cultura ocidental por quase vinte séculos. … É de seu nascimento que a maioria das raças humanas datam seus calendários, é em seu nome que milhões amaldiçoam e oram”.  - Jaroslav Pelikan, Jesus ao longo dos séculos (New York: Harper & Row, 1987), 1.


A próxima postagem como já citado no inicio será complementar, falaremos sobre a  confiabilidade dos relatos do Novo Testamento em: OS EVANGELHOS SÃO VERDADEIROS?

Até lá.

Que Deus abençoe a todos.


Fonte: http://jesusreal.blogspot.com.br


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| 29/11/2008 |